REFLECTINDO A CRISE III

by Jose Baptista | April 14th, 2011

Temos vindo a abordar e a desenvolver com base neste tema, algumas considerações e conceitos que pela importância que têm na vida particular e colectiva de todos nós nos parece bem continuar deles a falar.
Quando hoje se faz um balanço dos anos de democracia pós 25 de Abril de 1974, é dever salientar os imensos progressos que o regime democrático trouxe em todas as áreas da nossa vida colectiva.
O Serviço Nacional de Saúde, terá sido apesar das suas debilidades, o mais notório, seguido de perto pela educação, apesar da sua massificação e da confusão ali reinante, a que deveremos juntar as liberdades em todos os seus quadrantes, e as políticas sociais igualmente implementadas.
Vistas e analisadas assim, parece-nos ter sido tudo um sucesso. É verdade que muito de bom foi feito, e isso deve ser atribuído ás diversas governações, já que cada uma a seu modo para tal contribuiu.
Se é verdade que Portugal melhorou, tal que a vida individual dos portugueses, então quais as razões que nos levaram á crise em que nos encontramos?
Voltamos sempre a encontrar a palavra-chave “ falta de bom senso”, na governação, falta de equidade na tomada de determinadas decisões políticas, e na feitura de leis adequadas, que sirvam o bom governo do país e da sociedade.
A manutenção de práticas nocivas de governação, que beneficiaram determinadas classes corporativas e económico-financeiras, também têm a sua dose de culpa no acentuar desta crise que veio para durar.
Desde á muito que os diversos partidos de oposição ao governo lhe têm sugerido mudanças na condução de muitas das suas políticas, tal que houvesse cuidado com o endividamento externo, pois dizia-se já à dois ou três anos que ele iria tornar-se incomportável. O governo a todas as chamadas de atenção quer dos partidos, quer de muitos especialistas da sociedade civil não deu ouvidos e continuou num esbanjamento de dinheiros públicos que agora e durante algumas gerações teremos que pagar.
Não se pode negar que a crise financeira internacional pode ter agravado os problemas, mas foi sobretudo a falta de rigor, e o ter escondido o “lixo debaixo do tapete”, que mais acentuou o cataclismo onde hoje estamos.
A constituição de empresas público privadas, para gastar á toa e esconder essas contas do orçamento do Estado, foi uma constante, mas agora na hora da verdade todos estes malabarismos e mentiras vieram ao de cima.
A escolha para os lugares de topo destas empresas de pessoas com curriculum apenas partidário, que ali eram colocadas para cumprir as políticas do chefe e usufruir de mordomias acima de tudo o que é razoável, levou a que muitos desde cedo se começassem a aproximar dos partidos, para através deles subir na vida, não á custa do seu trabalho e competência profissional mas do cartão do partido em que se filiaram propositadamente para o efeito.
Este “encosto” ao Estado, a que outrora outros chamaram de “gamela do orçamento”, trouxeram também para a sociedade sentimentos de revolta e indignação, pois que os maus exemplos afinal vinham de cima.
Chegados aqui, a sociedade dita civil, tem ser mais exigente com a classe política, e, manifestar-se. Não como sociedade “á rasca”, onde as pessoas não sabiam bem o que queriam, mas com ideias bem estudadas e facilmente entendíveis por todos.
Ás elites sempre foi exigido a liderança, baseada no seu saber e preparação. É tempo de aparecerem e fora dos partidos, se apresentarem dispostos a servir uma causa, que é de mudança de paradigma. Com esta gente não vamos a lado nenhum. O voto nas próximas eleições devia ser nulo, ou de protesto para que os partidos, (incluindo aqui o senhor Presidente da República, apenas e, pelo pouco que tem feito para que a crise não se agudizasse tanto) percebessem que só governam e tem poder porque o povo lho dá, exigindo apenas e só em troca, que governem bem e para todos, e não só para os seus apaniguados.
Dizia o Almirante Pinheiro de Azevedo, num outro período complicado da nossa governação, que “ a sociedade é serena “. Pois bem, mostremos essa serenidade castigando especialmente os partidos do arco do poder através do voto, talvez assim e com menos poder sejam capazes, todos, de chegar a algum consenso.
As grandes causas ganham-se em tempos de dificuldades, e os grandes estadistas do passado afirmaram-se, e ficaram na História, por as terem ajudado a resolver.

José Baptista

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