ESTATÍSTICAS EUROPEIAS E TRISTE REALIDADE

by Jose Baptista | May 2nd, 2014

Foi com imensa tristeza que li no jornal Expresso de 08 de Março pp que as estatísticas do Eurostat, consideravam a região da Serra da Estrela como a mais pobre da zona europeia do Euro.

Mais triste fiquei quando a zona concreta a que se referem são os concelhos de Gouveia,
Seia e Fornos de Algodres, o que implicitamente coloca a nossa Vila Nova nessa terrível classificação.
Não era estranho para nós aqui nascidos e criados, que esta nossa região era pobre,
predominantemente agrícola e onde nem todos poderíamos sobreviver com alguma dignidade, e daí a emigração interna e externa que sempre existiu, e que se tornou maciça na década de sessenta do séc. passado.
Mas vê-la assim colocada na cauda da Europa, causou-nos um inegável desconforto.
Dadas as já nossas conhecidas debilidades económicas, se lhes juntarmos mais esta real estatística europeia, não nos parece que algum dia esta nossa região venha a ser atractiva ao investimento vindo de fora.
A confirmarem-se estes pressupostos, as responsabilidades dos naturais e dos poderes públicos locais aumentaram, já que lhes caberá essencialmente a eles inverter esta situação real e estatística.
Parece- nos portanto ser altura das Juntas de Freguesia e da Câmara Municipal unirem esforços para mudar esta triste realidade.
Dirão,como? Pensar seriamente os problemas do concelho e as potencialidades específicas que cada freguesia oferece, publicitá-las e apoiá-las desburocratizando leis instituídas, mas inadaptadas á nossa realidade, que são na maioria das vezes a causa da inércia de muitos potenciais investidores.
São por todos conhecidas as dificuldades com que se esbarra quando se quer fazer alguma coisa. A interpretação das leis é levada ao exagero, quase sempre em prejuízo do cidadão, pelo que informação correcta e adequada, melhor boa vontade dos funcionários, taxação gradativa á medida que os projectos avançam, em vez do castigo do pagamento das taxas logo no início da sua implementação ( espécie de crédito, a pagar quando a rentabilidade fôr já uma realidade, mesmo que acrescido dum juro honesto), são medidas que incentivariam os que se dispõem a investir, pois encontrariam nelas a colaboração, a ajuda e a sensibilidade positiva dos (seus)poderes autárquicos.
Igualmente reuniões periódicas conjuntas nas Juntas de Freguesia com os Serviços especializados da Câmara, deveriam ser implementados, com agenda pré-definida e abertos ás populações, onde após estudo prévio fossem enumeradas as potencialidades de desenvolvimento locais , possíveis ajudas e apoios comunitários, municipais ou outros.
É nossa convicção que estas atribuições são próprias do poder autárquico, pois é aquele que melhor conhece as realidades locais, e deve ser posto ao serviço da comunidade, ou não será a política democrática a arte de servir e contribuir para o bem comum?
As autarquias tem que ser inovadoras, e romper com os costumes instalados. Existem algumas que o estão a fazer, caso de Proença a Nova, que está a atraír empresas que criam empregos, laboram e criam riqueza no concelho. Nós temos no concelho produtos de altíssima qualidade como sejam o queijo da serra e o vinho, mas a produção do primeiro é marginal se a compararmos com a dos vizinhos concelhos de Fornos,Seia e Celorico e o segundo embora diversificado por adegas e empresas privadas, tem no sistema cooperativo boa parte da sua sustentabilidade.
Este sistema que ao tempo que o vinho era rentável, garantia o escoamento da produção e era o abono de família de muitos pequenos Viti-vinicultores, está hoje em regime de morte lenta, porque apesar de produzir um produto de reconhecida qualidade e apreciado no mercado, não consegue pagar a despesa e o trabalho do agricultor, pois a concorrência do mercado não lhe permite subir os preços, falta-lhe massa crítica para se lançar na exportação alargada e com ela obter preços compensadores, e ainda se debate com dívidas que honradamente tem vindo a pagar.
Sem indústria, com os serviços a fechar e os produtos tradicionais em quebra acentuada, têm que ser os poderes públicos a criar condições ao investimento privado.
A construção da barragem hidroeléctrica de Girabolhos poderá vir a ser uma boa oportunidade, para o lançamento de alguns projectos de investimento, especialmente nas freguesias confinantes com a mesma, e aqui terá a Câmara se assim o quiser uma boa oportunidade de os incentivar através de informação credível colocada á disposição dos potenciais interessados pelos seus Serviços Técnicos
Isto porque podem existir ideias soltas de alguns que depois na prática se tornam inexequíveis, como a de alguém que quis implementar sem qualquer subsídio oficial uma plantação de 5 ha de pinheiro manso, e depois apenas lhe autorizavam 10/o da área pretendida, e o resto em pinheiro bravo, que está doente face á praga que o está a dizimar. Com políticas desta natureza por parte dos serviços da agricultura não vamos a lugar nenhum, e fora dela não existirão muitas oportunidades. A terra existe, está abandonada e quando se pretende plantar algo que embora só a muito longo prazo possa retornar o investimento, mesmo assim, os burocratas impedem-no. A senhora ministra da agricultura até diz que tratar a floresta dá desconto no IRS, mas antes de mais tem que melhorar a formação dos seus funcionários para que a interpretação
das leis seja realista, e depois talvez consiga atrair investidores, ou então teremos todos que pedir subsídios ao abrigo dum Plano qualquer, e a legislação a aplicar já será a contemplada no mesmo e portanto mesmo que seja eucalipto, já será autorizada.
Senhores autarcas, coloquem-se ao lado dos vossos munícipes, facilitem-lhes a vida e talvez algum do dinheiro que hoje existe em depósitos a prazo que pouco rendem , sejam canalizados para investimento e com ele para a criação de emprego.
Abril2014. José Baptista

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