FACTOS E REALIDADES EM VILA NOVA

by Jose Baptista | August 14th, 2014

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena” Talvez nesta ideia retirada dum poema de Fernando Pessoa sobre os descobrimentos portugueses, se inspire muita da nossa gente na procura de servir Vila Nova. Somos uma terra com um passado histórico que nos seus diversos contextos, sempre teve pessoas líderes que acreditaram ser possível criar em Vila Nova coisas novas adaptadas aos tempos e á História. Providos por vezes d’alguma Utopia face ás obras que sonhavam criar, as gentes de Vila Nova, nunca viraram a cara ás dificuldades que os desafios lhe impunham vencer. Assim, imbuídos desta força, de espírito de liderança próprio, e da certeza de conseguirem vir a arrastar para os projectos outros vilanovenses igualmente empenhados na sua concretização, as obras sociais e culturais foram nascendo em Vila Nova ao longo dos tempos, tornando-a numa terra onde o associativismo tem uma presença marcante. Nos dias que correm que bem difíceis são, agravados pela sangria migratória na procura de trabalho e do conhecimento tão necessários para a vivência digna do quotidiano, a nossa terra e quase todo o interior do país, sofrem desta nova realidade da desertificação. Este fenómeno, aliado ás crises sistémicas em quase todos os sectores da vida nacional, provoca problemas novos, como seja o cuidar das crianças e dos velhos que a saída dos familiares deixa algo desamparados, e á mercê das contingências que esta nova realidade criou, e para as quais é preciso encontrar respostas, que se forem de proximidade melhor. O olhar solidário existente na nossa terra, que de forma organizada se estenderá desde longa data até aos dias que correm através das Irmandades, Conferências Vicentinas, Cáritas, Centro de Assistência Social, Cantina Escolar, Casa do Povo, Bombeiros, Fundação Artiaga, casas sociais, Centro Paroquial, conjugado ainda com algumas iniciativas de carácter solidário e particular de muitos vilanovenses, ajudaram a colmatar algumas dificuldades dos mais necessitados da nossa terra, onde a figura ímpar do Dr. Joaquim Borges continua a ser uma referência marcante. Toda esta narrativa serve para valorar a iniciativa da Dra. Laura Costa, e do grupo de senhoras voluntariosas e empenhadas por ela lideradas, na criação de mais uma unidade de solidariedade social a “Associação Reencontro”. Esta nóvel Associação já com cinco anos de existência tem por objecto a promoção sócio-cultural dos vilanovenses, e a ajuda aos mais necessitados, especialmente a crianças desamparadas. Assim, lutando com as dificuldades próprias de quem começa, tem dado pequenos passos, agora concretizados com a cedência pela Câmara de Gouveia e por trinta anos das instalações das antigas escolas primárias, para ali iniciar um projecto de acolhimento e residência permanente para essas crianças desamparadas, ou vítimas de violência doméstica e desestruturação familiar de toda a espécie, que poderá ir dos zero até aos 18 anos de idade, com possível prorrogação até aos 21 anos. Para lá desse acolhimento, a Associação Reencontro proporcionará, através de técnicos qualificados ajuda e formação adequada aos casos mais problemáticos destas crianças, o que aumentará a mão de obra especializada na nossa terra, e criará por força disso outros postos de trabalho indirectos. A Associação Reencontro, no âmbito do seu projecto social e cultural, já tem em funcionamento regular uma escola de dança e “ballet”, sob a direcção da maestrina Dra. Cátia Costa, onde crianças e jovens iniciam os seus primeiros passos naquela difícil arte do bailado. Foi um espectáculo ternurento aquele a que assistimos na nossa avenida, naquela noite calma de 25 de Julho, proporcionado por mais duma dezena de bailarinas, que se esforçaram por cumprir, tendo o trio das jovens mais adiantadas na classe demonstrado que a aprendizagem vai no bom caminho. Este sarau cultural e gastronómico começou com a intervenção da Dra. Laura Costa, que apresentou o programa da noite, que contou com a colaboração de jovens estudantes locais que explanaram os conhecimentos musicais apreendidos em férias, da Tuna do Instituto Profissional de Gouveia, e duma sessão de fados e guitarradas, que animou a noite. Este projecto necessita para o seu arranque duma verba orçada em cerca de cento e cinquenta mil euros, destinados especialmente á remodelação das instalações, criação de quartos e compra de equipamentos necessários a acolher 22 crianças. Para conseguir esta verba a Associação aceita ajudas pontuais, promoverá pequenos eventos, e iniciou a venda de cadernetas destinadas ao sorteio dum automóvel, a ter lugar nas festividades do próximo ano. Estamos assim perante um projecto sério, louvável e necessário, que para lá dos fins a que se destina, poderá ajudar Vila Nova a reerguer-se, e a voltar a ser uma terra onde muitos mais possam condignamente viver. José Baptista da Silva Ago14

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