MORTE DUM VILANOVENSE ILUSTRE

by Jose Baptista | August 27th, 2015

marquesvideira1A morte do nosso ilustre conterrâneo Engenheiro Fernando Henrique Marques Videira, é ainda hoje por muitos vilanovenses desconhecida, não se sabendo as razões pelas quais a notícia não teve a relevância devida, dado ter sido uma personalidade ilustre e uma das maiores referências da nossa terra no séc.XX/XXI.
Enquanto homem de ciência, a sua sabedoria e inteligência, mereceram reconhecimento público e dos seus pares, daí que as suas capacidades técnico-profissionais, o tenham naturalmente guindado ao desempenho de altos cargos no seio de diversos Organismos Públicos, aos quais juntou contribuição efectiva na área governamental quando da sua nomeação para os cargos de Secretário de Estado da Indústria Pesada (1975) , da Energia e Minas (1976), e a de Ministro da Indústria do V Governo Constitucional, presidido pela Eng. Maria de Lurdes Pintassilgo (1979).
O Eng.Marques Videira, nasceu em 1928, e faleceu em Lisboa, aos 21.09.2014, vítima de doença prolongada.
Desde jovem que as suas aptidões na aprendizagem na área das ciências lhe foram reconhecidas, pelas altas classificações conseguidas na sua passagem pelo Instituto Superior Técnico, onde se licenciou em 1951, acrescidas depois num estágio formativo de 2 anos (1951/52) na famosa Universidade inglesa de Sheffield.
Os grandes Mestres em Engenharia de investigação daquele tempo, nomeadamente o Prof. Leite Pinto, que foi seu professor, souberam aproveitar as altíssimas capacidades cognitivas e técnico-profissionais, do jovem Eng. Fernando Videira, nomeando-o desde bem novo, para cargos de grande relevância nas áreas da engenharia mecânica e dos materiais, alargada posteriormente á chefia do Laboratório de Energia Nuclear, criado na Junta de Energia Nuclear (1961/67) , em Sacavém, onde chefiou o grupo de engenheiros pioneiros desta nova energia ligada ao estudo dos átomos.
Em 1961, presidiu também ao Grupo de Trabalho de Radioquímica, onde tiveram origem as primeiras aplicações em Portugal do radiocarbono á datação arqueológica.
Em 1970, foi membro da delegação portuguesa á Conferência Mundial de Energia Atómica.
Em 1979/82, foi presidente da Ordem dos Engenheiros da Zona Sul, tendo sido igualmente membro dos Conselho de Gerência da EDP, e da Siderurgia Nacional.
A Academia de Engenharia, atribui-lhe o Grau de Membro ” In Perpetuum ” e ao longo da sua careira participou em diversas reuniões da Sociedade Europeia de Energia Atómica.
Em Vila Nova fez parte dos Corpos directivos da nossa Adega Cooperativa.
Muitas outras funções de relevo deverá ter ainda desempenhado o nosso conterrâneo Eng. Fernando Videira, que estão fora do âmbito do nosso conhecimento, porque apesar de não termos com ele convivido pessoalmente, sabemos todos que não era apenas um homem de ciência e das causas públicas, porque aliado a elas sempre soube cultivar nessas funções e na sua vida pessoal, uma lisura de princípios éticos e morais acima de qualquer dúvida e que deveriam servir de exemplo, para os que ocupam lugares na política e na vida do quotidiano.
Na nossa juventude habituámo-nos a vê-lo em Vila Nova, veraneando com a sua família, em casa da sua tia D.Maria Emília Silva Marques da Silva, ou em diversas ocasiões como nos finados, e desde sempre lhe soubemos admirar o seu perfil recatado, não muito comum numa personalidade da sua condição.
Antes de o conhecermos, soubemos dele quando da trágica morte dos seus pais num acidente aéreo , quando estes se deslocavam a Portugal para assistir á sua licenciatura no Técnico.
O Eng. Fernando Videira, fez parte duma ilustre família de beneméritos, que foram os seus tios senhor Carlos Silva e D.Maria Emília Silva, viúva do anterior, que durante muitos anos, e especialmente no Natal, distribuíam um bodo pelos mais pobres da nossa terra, devendo-se-lhes ainda a construção de algumas casas sociais para os mais pobres, assim como a cedência de terreno para a construção das últimas escolas primárias em Vila Nova.
Pelos seus méritos próprios, pelos seus serviços prestados á Ciência e á causa pública, e pela sua condição enquanto pessoa de sãos princípios, e de Vilanovense assumido, seria louvável que a nossa autarquia, homenageasse e perpetuasse a sua memória, atribuindo o seu nome a uma das nossas ruas em Vila Nova.
Outras homenagens, seriam bem-vindas a partir das nossas Associações, especialmente das ligadas ao ensino, para que esta figura ímpar de Vilanovense, fique conhecida e sirva de exemplo e de incentivo aos jovens que agora se preparam para a vida académica futura.

José Baptista da Silva

Ago2015

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