ESTATÍSTICAS E PODER AUTÁRQUICO

by Jose Baptista | September 29th, 2017

Em Abril de 2014, coloquei neste blog uma notícia do Expresso de 8 de Março, onde dizia ser a zona da Serra da Estrela, a mais pobre da União Europeia.
Fiquei triste e preocupado ao mesmo tempo, porque nesta zona estavam incluídos os concelhos de Fornos, Seia e Gouveia, e portanto a nossa Vila Nova.
Todos sabemos que a nossa terra foi sempre uma terra essencialmente agrícola, que tem o vinho como referência. As indústrias nunca tiveram uma tradição considerável, e os vilanovenses desde sempre sentiram a necessidade de emigrar, para as grandes cidades e para o exterior, mas vermo-nos assim na cauda da União Europeia, causou e causa um enorme desconforto, já que potenciais investidores não a acharão atrativa para investir o seu dinheiro.
Estamos em tempo de eleições autárquicas, que são na minha opinião as mais importantes para a nossa terra, já que os eleitos sendo filhos da terra, conhecem os verdadeiros problemas que nos afetam, daí que mais que disputas partidárias se deverá olhar para o que de melhor cada um pode fazer por ela e unir os esforços para o conseguir.
Voltando ao tema de 2014, e mesmo sob pena de me repetir, voltava a apelar aos diversos poderes autárquicos, especialmente Câmara e Junta de Freguesia, para que estudem a nível concelhio e de freguesia, as potencialidades económicas e sócio-culturais de cada uma e procurem apresentar, ou somente alvitrar potenciais negócios que sejam viáveis, e para eles encontrem formas desburocratizadas de implementação, baixando inclusive taxas e impostos iniciais, alguma orientação técnica dos diversos serviços, para por exemplo aceder a fundos estruturais, nacionais ou comunitários. Criadas as empresas e apoiadas no seu início, com objectivos mais ou menos definidos terão condições para se afirmar, criar empregos e pagar impostos. Se nada se fizer, e os técnicos ficarem pelos gabinetes tranquilamente instalados, porque o seu patrão não pode falir, então nada acontecerá e as estatísticas comunitárias, continuarão a falar de nós como os párias da Europa.
Se nada quiserem fazer, valham-se ao menos da condição de párias para pedir ao governo e á Comunidade Europeia, ajudas de emergência para nos tirar desse vergonhoso lugar em que estatisticamente nos colocaram. No entanto, estou convicto que um plano integrado do concelho, ou ainda melhor da região serrana, potenciando as suas capacidades intrínsecas (Queijo, Agro-Pastorícia, Vinho, Frutos Secos, Turismo, Desportos radicais e outros mais), poderiam vir a ser apoiados, baseados na real condição da sua declarada pobreza estatística e real em muitas situações.
Será utópico? Talvez, mas sem tentar fazer alguma coisa de diferente, não conseguiremos saber, e acreditem que quando se mexe em alguma coisa em profundidade, pode não se atingir tudo ou mesmo nada do que se pensou, mas alguma ficará, e quem sabe da pesquisa e do estudo efectuado não surgirão coisas novas que ninguém tinha pensado, e quando descobertas trarão empresas e projectos viáveis que fixem gente nova e preparada para os prosseguir com sucesso.
Sei que os poderes políticos se protegem e não gostam de correr riscos, pois a inovação e a modernidade, são de implementação lenta e nem sempre têm sucesso, mas com a limitação dos mandatos, os autarcas não podem ficar sempre no poder, daí os aconselhar a serem criativos e recordados pelas suas obras, essas sim de perenidade terrena, e para isso é preciso pensá-las e colocá-las em prática.
Arregacem as mangas, unam-se, trabalhem com modelos de gestão privada já que tem acessores, técnicos qualificados em quase todas as áreas, e todos eles (Vós) não nasceram políticos, portanto usem as vestes, mas trabalhem como se empresas fossem e tivessem que as tornar rentáveis para assegurarem os vossos postos de trabalho e das equipas que convosco trabalham.
Se assim vier a ser, não só vos sentireis de bem com a vossa consciência, como sereis recordados como pessoas que colocaram o bem comum em primeiro lugar.

Boas escolhas e votem todos.

Setembro 2017

José Baptista da Silva

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