Dependências Tecnologicas

by Jose Baptista | December 26th, 2017

No mundo conturbado em que vivemos, uma certeza temos como adquirida, a nossa dependência face ás tecnologias informáticas, digitais e da informação. Como tudo o que é novo, estas tecnologias trouxeram coisas muito boas e positivas, como a possibilidade de nos ligar-mos ao mundo inteiro, ao trabalho muito mais ágil, profícuo e produtivo, aos excelentes resultados na deteção e tratamento de doenças, e, outros elementos sem número quantitativo possível de enumerar. No entanto, apesar de todas estas coisas boas, parece caricato vir colocar questões negativas neste domínio, senão vejamos;
Existe ou não uma excessiva dependência dos portugueses a estas tecnologias? Parece-nos que sim, pois começando pelo ambiente familiar, o diálogo praticamente já não existe, pois mesmo no decorrer das refeições elas ( as tecnologias) estão presentes e não raro a ser usadas. Em vez do diálogo, enviam-se e recebem-se mensagens e não raro se interrompe e deixa a comida esfriar para responder na hora a situações que na maioria dos casos certamente não exigiriam tanta pressa em responder. Ora esta realidade presente na casa de todos nós, especialmente onde filhos jovens ou netos vivem debaixo do mesmo tecto , cortam e fazem perder o diálogo, os afectos, o calor humano, o olhar olhos nos olhos, a transmissão e recepção de sentimentos, que normalmente existem numa família normal.
Vivemos um tempo novo, a que não podemos escapar, porque ele reflete a realidade do hoje, em todos os aspectos da vida. Se assim é, não será que se está a criar uma standarização da vida, que a concretizar-se pode, com o decorrer do tempo, cercear-nos das liberdades pessoais e colectivas consideradas fulcrais nas relações do homem com o seu semelhante.
Que valor terão amanhã a literatura, a filosofia, a história, o direito e outros componentes do pensamento, que nos foram deixados por mestre e pensadores antigos e contemporâneos, e sobre os quais foi fundada, mantida e aperfeiçoada toda a cultura e civilização da Europa e do mundo ocidental?
Que teremos em troca, e de que forma, da galopante invasão domiciliária que a informação e a imagem digital, nos deixam disponíveis para quem as queira e saiba consultar, inclusive as crianças, muitas delas sem preparação nem condições para as ver e entender ?
Será que estas tecnologias deixarão espaço para pensar, ou a standarização acabará por se impor e nos clonar a todos, impondo um pensamento único e sabe-se-lá ao serviço de quê e de quem?
Têm-se como muito difícil, para não dizer impossível contrapor a este “dilúvio” digital algo de diferente que o contrarie e lhe dispute a primazia.
Apesar disso, e não sendo apologista das teorias do velho do Restelo, é nossa convicção que especialmente nas famílias com filhos pequenos se deve usar o bom senso e o diálogo para com eles, fazendo-lhes notar especialmente aquilo que lhes pode ser negativo e perigoso. A proibição de ver e consultar pode gerar efeito contrário na cabeça dos mais novos, no entanto o livre acesso também não é bom, daí que o sentido de responsabilidade deve ser incutido e cultivado na educação da juventude. Se assim acontecer ficarão os benefícios, e será responsabilidade dos jovens o acesso a estes meios audiovisuais.

José Baptista da Silva
Dez2017.

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