VILA NOVA FICOU MAIS POBRE – Morreu o Dr. António Castilho

by Jose Baptista | December 3rd, 2017

Foi com profundo pesar que soube hoje da morte dum grande vilanovense e dum querido amigo o Dr. António Castilho Borges.
O Dr. António foi para mim e desde sempre uma grande referência como Homem e como Mestre com quem se podia sempre aprender alguma coisa. Bastava conversar com ele sobre qualquer assunto, para das suas palavras apreendermos e ficar mais ricos em cultura e sabedoria. Tive a felicidade de através da minha Madrinha, ser presença frequente em casa da sua extremosa mãe, a sempre serena e prestável senhora dona Alice. Portanto, desde tenra idade me habituei a com ele conviver, tal que com os irmãos Dr. José Alberto e Dr. João Castilho, e pela vida fora a minha amizade, admiração e respeito nunca pararam de aumentar, o mesmo poderei afirmar sem me enganar deverá ter acontecido com todos os que com ele privaram.
Ás suas qualidades inatas, tão próprias da sua família, o Dr. António irradiava simpatia, afabilidade, simplicidade e respeito por toda a gente, desde o mais humilde ao mais letrado, e ele incluía-se neste rol, já que aliadas a todas as suas qualidades, era um grande homem de cultura, um grande mestre da oratória, alguém que apetecia ouvir, porque nele existiam as qualidades dum grande professor, a quem ninguém podia ficar indiferente. Conhecíamos a sua luta para resistir e tentar debelar uma grave enfermidade que o atingiu e lhe tirou algum vigor físico, mas não a eloquência nem a clareza do seu pensamento. Era um prazer falar com o Dr. António Castilho e se possível prolongar a conversa, já que ela prendia, não só devido ao personagem, mas e sobretudo á clareza das suas ideias.
Foi um académico de mão cheia e a sua acção levou-o ainda, no tempo colonial, a leccionar em Cabo Verde, á Reitoria do Liceu da Cidade da Praia, e ao alto cargo de representante do poder central para a educação naquela antiga colónia portuguesa.
Na juventude fez parte, com os seus irmãos e outros jovens do seu tempo, da organização das festas das vindimas, naquela época das mais afamadas das Beiras. Foi igualmente um excelente futebolista, ficando para sempre lembrados os seus despiques enquanto defesa de alto gabarito, com o não menos famoso avançado Zeca Tavares, outra estrela Vilanovense, que jogava no Académico de Viseu, e depois se transferiu para o Benfica. Fez parte durante alguns anos da Direcção e de outros cargos no nosso Vilanovenses, e estava sempre disponível para ajudar e aconselhar em tudo o que se lhe pedisse. A sua vasta cultura, aliada a um enorme bom senso, tornava-o uma pessoa solicitada e pronta para dar conselho, a que ele nunca se negava. Era por isso um homem sempre disponível a ajudar, e devido á sua simplicidade procurado mesmo pelos mais humildes, a quem como atrás dissemos ele tratava com a consideração dum seu igual.
Vila Nova perdeu uma das suas maiores referências vivas, uma pessoa inteira como homem, uma enorme referência cultural, e um grande amigo da sua terra, onde vinha com regularidade e passava o Verão na casa de família, que reformaram e dividiram entre os irmãos, sinal de presença e amor pelo seu torrão natal.
O Dr. António Castilho partiu, mas a sua memória permanecerá entre nós, e que bom seria se todos soubéssemos seguir os seus exemplos de vida. Se o conseguirmos, a sua memória perpetuar-se-á, Vila Nova será melhor e mais culta e, com isso, teremos pessoas melhores e mais amigas da sua terra.
Como crente e cristão, peço a Deus que o premeie com o descanso e a paz eterna reservada aos eleitos que em vida souberam através dela dar testemunho do mandamento maior da solidariedade.

José Baptista da Silva
Nov.2017

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