Morreu o Senhor António Costa

by Jose Baptista | February 3rd, 2018

Foi com enorme pesar que soube aqui em Luanda, da morte do grande amigo e insigne vilanovense Senhor António Augusto da Costa Marvão. A  pouco tempo de completar um século de vida, o senhor Costa partiu, após uma vida plena de trabalho inovador, onde a solidariedade esteve igualmente presente, tal que o empenho pelas instituições com destaque para a Bombeiros dos quais foi fundador, e a cuja Associação  presidiu até às forças físicas lho permitirem. A ela ficará sempre ligado pela sua extraordinária colaboração de 50 anos, e pelo seu Museu de Rádios Antigos, que em vida quis doar á Associação, e que hoje faz parte do seu espólio cultural e se tornou igualmente uma referência cultural de Vila Nova.

A inovação que procurou imprimir no seu trabalho, expressa no nome duma sua empresa já longínqua “A Inovadora”, marcou bem o seu espírito de homem  empreendedor, e de olhos colocados no futuro. Assim foi quando da abertura do primeiro Café, em parceria com o senhor António Moura, na criação do Pão de Milho Supermercado com outros empresários locais, e enquanto empresário em nome individual na correspondência bancária, representativa dos maiores Bancos da época, da representação do Registo Civil em Vila Nova, na comercialização dos inovadores electrodomésticos, aparelhos de telefonia e televisão, na distribuição pioneira do gás em botija, na representação, distribuição e venda de jornais e revistas de referência, no Rádio Amadorismo, etc,.

Esta  sua  propensão para ver sempre mais longe, ajudou igualmente as Instituições locais particularmente os Bombeiros, de quem foi fundador e membro de direcção até às forças físicas o abandonarem.

No decorrer da sua longa  vida, foi sempre um homem activo, um profissional de excelência, sério e dedicado ás suas causas. Foi um vilanovense empenhado no desenvolvimento da sua terra, e nos últimos anos de vida que passou em Vila Nova, um sábio conselheiro para quem precisava de resolver situações que a espuma do tempo já tinha apagado. Era dotado duma memória enciclopédica, recortada por uma discreta e fina ironia, com que ajudava a vincar bem o teor das suas respostas.

Foi um homem que cultivou sempre a descrição, pois apesar do muito, e do bom que fez na vida profissional, pessoal ou social, manteve sempre o recato, daqueles que preferem que sejam  as suas obras que falem por si.

Com a sua morte, terminará? um ciclo de homens “bons”, que nos últimos cem anos, serviram e muito fizeram por Vila Nova. Oxalá, que todos os que mais de perto lidámos com ele, e com alguns dos outros, saibamos guardar o seu exemplo e os seus ensinamentos e actos concretos de vida em prol da comunidade vilanovense, para que cada um nas suas áreas de acção, ajude a sua terra, a ser um lugar onde apesar do seu menor fulgor económico, continue a ser agradável viver, e a cultura e a solidariedade social não deixem de estar presentes.

Aos seus filhos, Tó, Zézé e Teresinha, aos seus netos e a todos os seus familiares, deixo aqui expressos os meus sentidos pêsames e o testemunho duma grande e sincera amizade, e  de admiração pela sua pessoa e pela sua obra.

Que descanse em paz.

Fev.03.18

José Baptista da Silva

         

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