Jovens que Prometem

by Jose Baptista | August 20th, 2018

Nestes tempos estivais em que a mobilidade humana é maior, o nosso interior ganha vida nova que faz esquecer um pouco a má política de Ordenamento do Território, a que os sucessivos governos nos votaram e condenaram.
Essa mobilidade, aliada á música e aos eventos sócio-culturais e gastronómicos anima e alegra as festas que um pouco por todo o país tem lugar nestes meses de Verão, e, dá gosto ver tanta juventude animada e participativa.
E, foi com grato prazer que no decorrer dum repasto prolongado por mais algumas horas de conversa, assisti e acabei por também participar, numa viva e acesa troca de opiniões entre dois jovens ( rapaz e rapariga ), acerca de temas que vivem nas escolas, e outros alargados a problemas do dia a dia, sobre diferenças de género, e os prós e contras que por vezes lhes estão associados, o problema do aborto, os direitos e limitações no acesso a carreiras profissionais no sector público, nas vantagens e desvantagens de estudar na escola pública e, ou na privada, e ainda ( aqui ambos com conhecimento de causa ) a situações de flagrante injustiça de que ainda hoje são vítima muitas pessoas que sofreram na pele as consequências das tragédias incendiárias, especialmente quando postas em paralelo com os incendiários a quem são colocadas pulseiras electrónicas, e enviados para casa com um subsídio diário de 22,50 euros por dia. (Presos parece que custam 60,00?).
Eu, no início ouvinte interessado e admirado pela multiplicidade dos temas e da abordagem que aos mesmos era feita, em que cada um apresentava e defendia as suas ideias e permitia o contraditório, vi-me obrigado a colocar de quando em vez, alguma água na fervura, numa discussão acesa, própria do fulgor juvenil, e de quem pensa ter soluções remédios para todos os males da sociedade. Apesar do calor e das razões argumentadas a discussão decorreu sempre com elevação e respeito pelas ideias de cada um.
Foi um serão muito agradável, e para mim um tanto surpreendente, ouvir jovens de 15/16 anos debater temas que embora muitos deles lhes digam respeito directamente, eu pensava ainda não os preocupar.
Em muitos temas, houve consenso, e estupefação, quando a lei, não contempla casos específicos, a que, e apenas com a recorrência a um juíz, podem eventualmente ser resolvidos ou lhes ser dado justo tratamento.
No tocante á escola, um estuda na pública outro na privada, e o que estuda na estatal diz haver professores que chegam ao fim do ano lectivo sem saber o nome de muitos alunos, limitando-se a debitar matéria, mantendo-se distante deles, o que não lhes abona muito, dado que quem escolhe uma carreira de professor, deve ter no aluno o seu alvo de eleição, contribuindo pedagógica e cientificamente para a sua formação.
Quanto ao aluno da privada, considera-se prejudicado , porque as notas no colégio são dadas com mais rigor, enquanto na pública terão sempre uma valoração de 2 valores no final do ano, o que no seu ver, pode impedir que alguns dos melhores alunos dos colēgios sejam preteridos na entrada em cursos académicos exigentes em notas altas.
Trago ao conhecimento dos leitores este episódio, porque me ensinou mais uma vez, que as generalizações seja sobre que conceito fôr são perigosas e por vezes descabidas de sentido. Este relato mostra bem que jovens, ainda muito jovens, já se preocupam com os acontecimentos do mundo que os rodeia, e os encaram com realismo e espírito crítico, e um sentido de justiça muito apurado, levado por vezes ao extremo na defesa de princípios e valores em que acreditam. Esta atitude é enriquecedora, e tranquiliza-nos, porque no meio da multidão continuará sempre a existir alguém imbuído e com espírito de missão na defesa dos princípios do bem comum.

José Baptista da Silva
Ago.2018

Comments are closed.

Categorias