by Jose Baptista | June 7th, 2010
Desde sempre os homens se sentiram atraídos pelo desconhecido, e sempre procuraram contrariar ideias feitas, ou culturas dominantes.
Foi assim que nas artes, nas ciências e nas letras emergiram novas tendências, novos conceitos e novos sistemas que ao competirem entre si se afirmaram e ganharam adeptos e eficácia metodológica, cultural e cientifica.
Mas, no mundo ocidental que é a ele que nos referimos, estes avanços culturais e científicos, mesmo contrariando as ideias e as culturas existentes, não ridicularizavam a matriz cultural que lhes deu azo, ou seja a cultura greco-romana e judaico-cristã.
Ora, se assim tem sido ao longo dos tempos e com os benefícios que a Humanidade tem disso retirado, não se entende hoje o relativismo que é colocado na análise dessa mesma cultura e civilização, quando se quer trazer algo de novo para a ribalta, quase fazendo crer que o que emerge em novidade e conhecimento é apenas obra do seu autor, isto é, não tem passado, nem bases de sustentação, mas o apenas seu EU.
Este individualizar o atávico, do querer mostrar, terá certamente a ver com o culto da imagem e da personalidade, que não sendo novo, emerge hoje com força redobrada.
Atacam-se ideias e instituições, fazendo-se juízos de valor comparativos erróneos e falsos, quando se procura julgar políticas, doutrinas, comportamentos e acções do passado, aliando-os ao presente, única e simplesmente, para vender a sua verdade.
Para quem quer informar, será do mais elementar bom-senso ter em conta que os julgamentos comparativos, só se podem fazer quando se podem comparar no tempo e no espaço, e dentro de contextos iguais. A não ser assim, está a prestar-se um mau serviço ao público consumidor da noticia, e a passar a informação de forma deturpada.
Este novo conceito, que vive muito do momento, isto é dos acontecimentos do presente imediato, é explorado, dando-lhe umas “pinceladas” de velho, especialmente daquilo que terá sido o pior desse tempo, para contrapor á sua ideia ou julgamento, e assim tentar vender mais facilmente o seu produto.
Tem sido noticia nos meios de informação mundiais, o comportamento reprovável de alguns clérigos da Igreja Católica, que abusaram de menores. A reprovação destes actos vergonhosos e criminosos, deve ser noticiada para que os culpados sejam punidos, pois de crimes hediondos se trata. Mas, então porque não se dá igualmente ênfase ao que a grande maioria desses clérigos faz de bem pelas pessoas, especialmente pelos mais pobres e necessitados? Porque razão se relata e divulga apenas o que é mau e felizmente praticado por poucos?
Estou em África há mais de 40 anos, e sempre olhei com o maior respeito e admiração, o
Trabalho de muitos homens e mulheres membros desta mesma Igreja, que doam a sua saúde, o seu tempo, e muitos até a sua vida aos mais pobres deste e de outros continentes.
Quem se encontra nos sítios mais recônditos destas paragens? O missionário, o catequista, o professor da Missão X ou Y. E que fazem eles ? Educam, ensinam, tratam doenças, incutem coragem e esperança a quem mais precisa. Quanto recebem de salário, ou outros benefícios materiais ? Nada, ou muito pouco. Esta é a mesma Igreja. Quem a noticia ? Quem lhe dá relevo e paginas de jornais, ou espaços televisivos ?
É esta prática enganosa a de querer denegrir pessoas e instituições, com juízos de valor relativista e enganosos, que nós condenamos.
Tratando-se de uma instituição como esta é de lamentar e condenar o comportamento indigno de muitos poucos dos seus membros. Mas, as instituições são criadas e geridas por pessoas, e mesmo dentro das nossas famílias, nem todos somos iguais, em comportamentos e acções, pelo que os julgamentos precipitados e relativos, não devem servir de modelo a ninguém, antes se devem informar com verdade e nunca esquecer a frase que se segue:
“ QUEM NÃO TIVER QUE SE LHE DIGA QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA”.
Luanda, 1 de Junho de 2010
José Baptista da Silva
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