by Jose Baptista | June 7th, 2010
Após seis décadas de paz social e progresso económico, a Europa está mergulhada numa profunda crise económica, financeira e social.
Para o facto são agora colocadas muitas interrogações e apontadas múltiplas razões, mas parece-nos que se dá pouco ênfase á falta de bom senso que conduziu a tudo isto, porque certamente se esqueceram da História, que mal ou bem se vai repetindo, embora com contornos diferenciados.
A sabedoria popular, está sempre baseada no bom senso, e os muitos provérbios de que ela é feita, são facilmente assimiláveis por todos, e perduráveis no tempo. Mas, o homem, na sua ânsia afirmativa, esquece-se de que o mundo é mais antigo do que as suas ideias, e que de uma ou de outra forma já viveu e assistiu a situações paralelas, sendo conhecidos, avaliados e estudados em diversas escolas e universidades, os longos e curtos períodos de avanços e recuos nos sistemas políticos, sociais e produtivos.
Esquecer o passado, é comprometer o futuro, e na nossa modesta opinião foi o que aconteceu com as classes políticas dominantes das últimas décadas. Construíram-se e implementaram-se coisas muito boas para o bem estar do homem e da sociedade, só que como em muitos casos, perdeu-se o bom senso na sua aplicação, e os políticos na ânsia de ganhar dinheiro, ignoraram essa regra elementar, e as coisas dão no que dão. Picos de euforia, aliados a outros de frustração, estes bem mais difíceis de aceitar e de gerir.
Já na mitologia grega se conta que Ícaro, na sua ânsia de subir e voar, se muniu de asas feitas de cera, só que se esqueceu de que a cera se derrete com o calo, e portanto o seu tombo era inevitável.
Os governos e os economistas do mundo ocidental, especialmente os europeus, acharam por bem abrir o seu espaço físico, económico e financeiro ao mundo. Retiraram-lhe as barreiras protectoras das policias de fronteiras e das alfândegas, pois com isso os fluxos eram facilitados para que as pessoas e bens pudessem circular mais facilmente. A medida, na sua génese e para atingir os fins em vista foi boa, e saudada por quase todos, só que se foi longe demais, porque nem todos a usaram e usam para os atingir na forma prevista.
O homem não é um ser perfeito e na sua ambição de poder, tem tendência para explorar os pontos fracos dos sistemas, daí que tem que sempre existir bom senso e alguma precaução nas medidas políticas, sociais e económicas que se tomam, porque se não o seu desvirtuamento é inevitável.
Todos sabemos que assim é, e em todos caímos e persistimos no mesmo erro, porque como humanos procuramos quase todos tirar proveito individual das debilidades dos sistemas.
Chegados aqui, que fazer ? Voltar a regular minimamente, visto que o sistema falhou, ou foi adulterado nos princípios que lhe deram aso. Vão perder-se regalias ? Certamente que sim. Mas se o sistema em vigor já não tem conserto, estamos á espera de quê? Milagres, certamente que existem para os que neles acreditam, mas não me parece que seja o caso para este efeito. É por isso necessário que os diversos poderes e os meios de informação façam a pedagogia informativa necessária dando voz a todos, mesmo aos que estão contra, para que dessa discussão séria e aberta, venha ao de cima a verdade, e o bom senso impere, para sermos capazes de retomar o caminho do progresso social e económico, mais regulado, talvez menos exuberante, mas mais seguro e extensivo a todos. Dêmos todos um bocadinho do nosso saber e do nosso esforço, e a meta poderá vir a ser atingida
Luanda, 1 de Junho de 2010
José Baptista da Silva
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